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Robert Todd Carroll

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Ondas de rádio de telefones móveis são nocivas a células do corpo e danificam o DNA em condições de laboratório, segundo um novo estudo patrocinado majoritariamente pela União Européia 12/20/04

Estudo Liga Telefones Móveis a Tumores Benignos, Outubro de 2004

Torres 'dobram o risco de câncer infantil' BBC, 30 de outubro de 2004

Nenhuma Ligação Encontrada Entre Câncer e Linhas de Transmissão em Long Island - de Richard Pérez-Peña New York Times, 26 de junho de 2003

Celular: Conveniência, Risco ou Ambos? de Jane Brody New York Times, 1° de outubro de 2002

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campos eletromagnéticos (CEM)

Todos os agentes cancerígenos conhecidos -- entre os quais a radiação, determinados produtos químicos e alguns vírus -- agem rompendo ligações químicas e produzindo cadeias mutantes de DNA. Antes que se atinja a região ultravioleta do espectro eletromagnético, além da luz visível, além do infravermelho e muito, muito além das microondas, os fótons não têm energia suficiente para quebrar ligações químicas. Os fótons das microondas aquecem tecidos, mas não chegam perto de ter a energia necessária para quebrar as ligações, não importa quão forte seja a radiação. -- Dr. Robert L. Park da American Physical Society (New York Times 1º de outubro de 2002)

Campo eletromagnético é uma região sobre a qual é exercida uma força produzida por uma corrente elétrica.

Muitas pessoas têm medo de que os CEM causem câncer. No entanto, não há uma conexão de causa estabelecida entre ambos. O National Research Council (NRC) passou mais de três anos revisando mais de 500 estudos científicos conduzidos ao longo de um período de 20 anos e não encontrou "nenhuma evidência conclusiva e persistente" de que campos eletromagnéticos sejam nocivos aos seres humanos. O presidente do grupo do NRC, o neurobiólogo Dr. Charles F. Stevens, afirmou que "as pesquisas não demonstraram de qualquer forma convincente que os campos eletromagnéticos comuns em ambiente doméstico possam causar problemas de saúde, e extensos testes de laboratório não demonstraram que os CEM possam danificar células de forma prejudicial à saúde humana". *

Em 1997, o The New England Journal of Medicine publicou os resultados do maior e mais detalhado estudo sobre a relação entre os CEM e o câncer já feito. A Dra. Martha S. Linet, diretora do estudo, afirmou: "Não encontramos nenhuma evidência de que os níveis dos campos magnéticos domésticos tenham aumentado o risco de leucemia infantil". O estudo durou oito anos e mediu a exposição aos campos eletromagnéticos gerados por linhas de transmissão nas vizinhanças. Um grupo de 638 crianças com menos de 15 anos, portadoras de leucemia linfoblástica aguda, foi comparado com outro grupo de 620 crianças saudáveis. "Os pesquisadores mediram os campos magnéticos em todas as casas em que as crianças moraram por cinco ou mais anos antes da descoberta do câncer, assim como nas casa em que suas mães moraram na gravidez". O estudo foi criticado porque era impossível saber exatamente como eram os CEM na época em que as mães ou seus filhos foram expostos. Todas as medições tiveram de ser feitas após a exposição ter ocorrido, e foi preciso presumir que o nível dos CEM não tenha sido substancialmente diferente durante a exposição. É improvável, no entanto, que alguém além de um descendente intelectual do médico nazista Joseph Mengele venha um dia a fazer um estudo controlado em seres humanos que controle sistematicamente a exposição a CEM desde o momento da concepção e por toda a infância.

Um relatório publicado no Journal of the American Medical Association sobre um estudo com 891 adultos que usaram telefones celulares entre 1994 e 1998 descobriu que não houve nenhum aumento no risco de câncer cerebral associado ao uso do celular (Muscat 2000). Mesmo assim, muitas pessoas acreditam que morar perto de linhas de transmissão ou usar telefones celulares cause câncer. Por que? Alguns advogados, a mídia e um público cientificamente iletrado podem receber os créditos por isso.

Robert Pool afirma que a opinião pública foi despertada contra os CEM por fontes não-científicas como a revista The New Yorker (Pool 1990). O medo de que telefones celulares pudessem estar causando tumores cerebrais foi também despertado pelo programa 20/20 da ABC (outubro de 1999) numa história centrada nas alegações do Dr. George Carlo que, pelos seis anos anteriores, era responsável pelo programa de pesquisas da indústria de celulares sobre os efeitos da radiação desses telefones. Gordon Bass também apoiou-se muito em Carlo em seu artigo alarmista na PC Computing, "Seu Celular Está Matando Você?" (30 de novembro de 1999). Carlo contradiz as conclusões da maioria dos outros pesquisadores da área e sustenta que "agora temos algumas evidências diretas de possíveis danos à saúde causados pelos telefones celulares". Contrastando a opinião de Carlo, temos:

As evidências epidemiológicas de uma associação entre a radiação de RF e o câncer mostram-se fracas e inconsistentes. Os estudos de laboratório geralmente não sugerem que a radiação de RF de celulares possua atividade genotóxica ou epigenética, e uma conexão entre câncer e radiação de RF de celulares mostra-se fisicamente implausível. Resumindo, as evidências disponíveis de uma relação de causa entre radiação de RF de celulares e o câncer mostra-se de fraca a inexistente (Moulder et al. 1999).

Em um comunicado à imprensa de 20 de outubro de 1999, a FCC reagiu ao "20/20" e alegou que os "valores de exposição relatados pela ABC estavam perfeitamente dentro da margem de segurança e assim não há nenhuma indicação de que esses telefones apresentassem qualquer ameaça iminente à saúde humana". Além disso, a história do programa 20/20 alegava que as antenas dos celulares emitiam radiação para o cérebro, o que é enganoso. Também poder-se-ia dizer que TVs e rádios emitem radiação para o cérebro se cabeça for colocada perto o bastante desses aparelhos.

Os telefones celulares operam na faixa de radiofreqüência (RF) do espectro eletromagnético. Essa é uma radiação não-ionizante. Outros exemplos da faixa não-ionizante do espectro eletromagnético são as ondas de rádio AM e FM, as microondas e as ondas infravermelhas das lâmpadas de aquecimento. Diferentemente dos raios-x e dos raios gama (exemplos de radiação ionizante), as ondas de rádio têm energia fraca demais para romper as ligações que mantêm as moléculas (como o DNA) das células unidas. Da mesma forma, por ter energia relativamente baixa, a RF dessa freqüência não penetra nos tecidos. Em níveis muito elevados de exposição, a RF pode causar o aquecimento dos tecidos, exatamente como uma lâmpada de aquecimento o faz. O comprimento de onda de telefones celulares é de cerca de 30 cm, e a freqüência é de aproximadamente 800 a 900 MHz, embora modelos mais recentes possam usar freqüências mais altas, até 2.200 MHz. *

Alarde semelhante foi evocado por apresentadores de programas de entrevistas como Larry King, que apresentou aos EUA um viúvo que alegava que o tumor cerebral fatal que vitimou sua esposa havia sido causado por CEM emitidos pelo celular. Há um processo judicial, é claro. As provas? O tumor estava localizado próximo de onde ela segurava o telefone no ouvido. As redes mais importantes relataram a história do processo, do tumor cerebral e do celular. Foram entrevistados cientistas a fim de dar à história mais 'profundidade' e credibilidade. No entanto, nenhum cientista encontrou ainda uma uma conexão de causa entre CEM e o câncer, muito menos entre celulares e tumores cerebrais. Assim, entrevistaram um cientista que havia exposto tumores já existentes a CEM. Ele relatou que suas pesquisas indicaram que os tumores crescem mais rapidamente quando expostos a CEM. As vendas de celulares caíram, assim como as ações das empresas que os fabricam. O fato de que tumores expostos a CEM cresçam mais rápido que os não expostos não indica que CEM causem tumores, cancerosos ou não.

É possível que celulares estejam causando tumores, mas a probabilidade é pequena. Os telefones CEM de níveis muito baixos e a exposição a eles é intermitente. É possível que uma pessoa que tenha um tumor cerebral e use um celular esteja correndo um risco significativo de que o tumor cresça mais rapidamente do que cresceria se não o usasse. Até o momento, no entanto, não há nenhuma evidência que corrobore a idéia de que exista uma probabilidade razoável de qualquer das alternativas.

Advogados que representam querelantes que culpam as linhas de transmissão pelo seu câncer mencionam um estudo sueco que descobriu que as taxas de leucemia eram 400% maiores entre as crianças que vivem perto de linhas de transmissão. Outro estudo, da Universidade do Sul da Califórnia, encontrou aumento nas taxas de leucemia em crianças que moram próximo a linhas de transmissão. Segundo Robert Pool, 

O estudo examinou 232 pacientes com leucemia abaixo dos 10 anos de idade e um grupo de pacientes de controle compatíveis em idade, sexo e raça. A quantidade de exposição a CEM para cada criança foi determinada em número de dias. Não foi encontrada nenhuma correlação entre a incidência de leucemia e a exposição a campos elétricos, quando medidos por inspeção de áreas. Foi observada uma correlação insignificante entre a incidência de leucemia e os níveis de exposição a campos magnéticos quando medidos através de uma mensuração contínua por um período de 24 horas. Foi vista uma correlação significativa entre a exposição a CEM, quando medida por codificação de fios, e um aumento do risco de leucemia. Os que tiveram maior nível de exposição tiveram um risco 2,5 vezes maior de desenvolver a doença. Não se sabe como essas diferenças nas correlações dependem da maneira como os CEM são medidos. É possível que alguns tipos de exposição a CEM possam levar a um maior risco de leucemia. Outra alternativa é que medições obtidas por codificação de fios possam ser mais sensíveis. São necessários estudos posteriores para verificar-se que fatores são medidos pela codificação de fios que não o são por outros métodos. Até que isso seja compreendido, não fica claro se a exposição a altos níveis de CEM está relacionada a um maior risco de leucemia (Pool, 1991).

Além disso, Paul relata que "houve vários relatórios científicos de níveis elevados de leucemia em pessoas que são expostas a altos níveis de CEM no trabalho, como reparadores de linhas de transmissão e trabalhadores na fundição do alumínio". Enquanto não há veredito científico a respeito da conexão de causa, se é que há alguma, entre viver perto de linhas de transmissão e ter câncer, os processos judiciais continuam a surgir. Foram impetradas mais de 201 ações contra projetos de redes em 1992, quando os CEM estavam em evidência. Ao menos três ações foram aceitas em tribunais federais alegando que a exposição a redes públicas havia causado câncer (Pool, 1991). As companhias elétricas estão assustadas e despejam bilhões de dólares em esforços para reduzir a exposição a CEM de suas linhas de transmissão. O Dr. Robert Adair, físico da Universidade de Yale, chama essa reação de "eletrofobia" e afirma que seriam necessários CEM de níveis 150 vezes maiores que os medidos pelos pesquisadores suecos para que representassem risco.

Os advogados podem levar seus casos aos tribunais muito antes que as evidências científicas cheguem perto de ser conclusivas, e os padrões de exigência de provas num tribunal são inferiores aos da ciência em nível perturbador. "Só o que é preciso são um ou dois processos bem sucedidos para que a fraqueza comece a atrair a atenção", diz Tom Ward, advogado de Baltimore que está processando a Northeast Utilities Co. e uma de suas unidades, a Connecticut Light & Power Co., por um alegado caso de câncer causado por CEM [ibid.]. Atualmente existe uma grande pressão para que todas as linhas de transmissão passem a ser subterrâneas. Melhor prevenir do que remediar? Os custos aumentam em vinte vezes para se enterrar as linhas. E o que virá depois? Advogados alegando que o câncer de seus clientes foi causado por água submetida a CEM? Já era bastante difícil tentar vender uma casa com linhas de transmissão nas vizinhanças quando as pessoas se incomodavam com a paisagem feia. Imagine tentar vender a mesma casa quando as pessoas têm medo de pegar câncer das feias linhas! De qualquer forma, teremos de enterrar nossos fios elétricos numa profundidade ainda maior que a altura dos postes de energia se quisermos ter alguma diferença significativa em matéria de proteção contra os campos magnéticos das linhas de transmissão.

Não é muito provável que uma pessoa comum precise ter alguma preocupação com as linhas de energia. A maioria de nós não chega tão perto delas a ponto de ser significativamente afetada por seus CEM. Nossa exposição a eles, mesmo quando estão nas vizinhanças, não e direta, tão próxima e constante. Provavelmente corremos mais riscos advindos da poluição por CEM que vem da fiação de nossas casas e dos eletrodomésticos que usamos do que da que vem das linhas elevadas. Ninguém pode evitar a radiação eletromagnética. Ela está em toda parte. Estamos constantemente expostos a ela através da luz, transmissões comerciais de rádio de televisão, comunicação de rádio da polícia, walkie-talkies, etc. Além disso, "embora campos elétricos sejam facilmente bloqueáveis, campos magnéticos encontram caminho através da maioria das substâncias sem serem bloqueados" (Pool, 1990). Na verdade, é curioso que enquanto o medo dos CEM está se popularizando, a magnetoterapia também o esteja. 


leitura adicional

Edwards, Diane D. "Cells Haywire in Electromagnetic Field?," Science News, v. 133, n. 14 (2 de abril de 1988).

Livingston, James D. Driving Force: The Natural Magic of Magnets (Harvard University Press, 1997).

Moulder. J. E. et al. "Cell Phones and Cancer: What Is the Evidence for a Connection?" Radiation Research, Volume 151, Número 5, maio de 1999.

Muscat, Joshua E. et al. "Handheld Cellular Telephone Use and Risk of Brain Cancer," JAMA / volume:284 (página: 3001) 20 de dezembro de 2000.

Park,  Robert L. Voodoo Science: The Road from Foolishness to Fraud (Oxford University Press, 2001).

Pool, Robert. "EMF-Cancer Link Still Murky," Nature, v. 349, n. 6310 (14 de fevereiro de 1991).

Pool, Robert. "Is there an EMF-cancer connection?," Science, v. 249, n. 4973 (7 de setembro de 1990), pp. 1096-1099.

Richards, Bill.  "Elusive Threat: Electric Utilities Brace for Cancer Lawsuits Through Risk is Unclear/ Companies Spend on Cutting Electromagnetic Fields as Lawyers Smell Blood," The Wall Street Journal, 5 de fevereiro de 1993, p. 1.

Sagan, Leonard A. "EMF Danger: Fact or Fiction?," Safety & Health, v. 145, n. 1 (janeiro de 1992), pp. 46-49.

©copyright 2002
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2005-02-11

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