G. I. Gurdjieff (1872?-1949) e P. D. Ouspensky (1878-1947)

George S. Georgiades era um Greco-Armeniano, carismático aldrabão que nasceu na Russia mas criou nome em Paris como o mistico George Ivanovitch Gurdjieff. Na Russia estabeleceu o chamado "Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem" (1919), que restabeleceu em França em 1922. Foi neste Instituto que Gurdjieff promoveu uma litania de noções ocultas e misticas àcerca do universo, que afirmava terem-lhes sido ensinadas por homens sábios quando viajava e estudava pela Ásia Central. Passou essas iluminações para livros como Encontros com Homens Notáveis, Todo e Tudo, e Contos de Belzebú para os seus Netos: uma critica objectiva imparcial da vida do homem. As palavras initeligiveis e desinteressantes de Gurdjieff foram apresentadas numa linguagem mais acessivel pelo seu discipulo Petyr Demianovich Ouspensky.

Ouspensky era um matematico e mistico que representava o São Paulo de Guirdjeff, tomando as noções ocultas e muitas vezes ininteligiveis do mestre e tornando-as legiveis, se não mais compreensiveis, em trabalhos como Em busca do Miraculoso-- Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido e O Quarto Caminho--- Um Registo de Conversas e Respostas a Questões baseadas nos ensinamentos de G. I. Gurdjieff.

Contudo, ao contrário de São Paulo, Ouspensky perdeu a fé no seu mestre. Talvez em resposta ao Instituto de Gurdjieff, Ouspensky fundou a Sociedade para o Estudo do Homem Comum e desenvolveu as suas próprias ideias. Ouspensky mantem-se um favorito entre os Nova Era pois escreveu livros com titulos como O Simbolismo do Tarot: filosofia do ocultismo em desenhos e numeros e Tertium Organum: o terceiro canhão do pensamento - uma chave para os enigmas do mundo. Contudo,para certos devotos de Gurdjieff, Ouspensky era um fora-de-lei. Só o mestre sabia tudo, enquanto Ouspensky conhecia apenas fragmentos e era um mistico incompleto. Outros discipulos consideram Gurdjieff e Ouspensky co-gurus.

Os seus actuais discipulos presumivelmente ignoram as pretensões mais ridiculas de Gurdjieff, tal como o seguinte comentário sobre a lua:

Todo o mal, todo o crime, todo o auto-sacrifício, todos os actos heróicos, bem como as acções da vida normal, são controlados pela lua.

O que torna um guru como Gurdjieff atraente como um conquistador espiritual são as suas mais cínicas observações, como a noção de que a maioria dos seres humanos que estão acordados agem como se dormissem. Gurdjieff tambem observou que a maioria das pessoas está morta por dentro. Penso que ele queria significar que as pessoas são sugestionáveis, crédulas, não reflectem ou suspeitam dos seus semelhantes, e precisam de um guru para dar às suas vidas vitalidade e sentido. Penso que Gurdjieff correctamente notou que a maioria das pessoas não são cépticas nem auto-motivadas, e são facilmente enganadas por gurus porque querem alguem que lhes mostre como levar uma vida mais cheia. Ele prontificou-se a mostrar aos seus seguidores o caminho para uma vida desperta, um estado de consciência e vitalidade que transcende a consciência ordinária. Atraiu assim um conjunto de artistas, escritores, viuvas ricas, para trabalharem na sua quinta em troca da sua sabedoria. Ofereceu numerosas afirmações e explicações para tudo debaixo da lua, com pouco mais que a sua imaginação e nunca temperado pela preocupação pelo que a ciência poderia afirmar sobre esses assuntos.

Gurdjieff obviamente tinha uma poderosa personalidade, mas o seu desdém pelo mundano e pela ciência devia aumentar a sua atracção. Exudava auto-confiança e nenhuma duvida, traços que devem ter confortado muitas pessoas. Os seus ensinamentos, porem, parecem as ilusões de um Gnóstico louco, como o Dr. Daniel Paul Schreber, cujas Memórias de um Neuropata foram analisadas por Freud. (em Three Case Histories)

A minha história favorita de Gurdjieff é contada por Fritz Peters. Para explicar o "segredo da vida" a uma Inglesa rica que lhe ofereceu 1.000 libras pela sabedoria, Gurdjieff trouxe uma prostituta para a sua mesa e disse-lhe que era de outro planeta. A comida que estava a comer, disse, era-lhe trazida com dificuldade do seu planeta natal. deu à prostituta alguma dessa comida e perguntou-lhe a que sabia. Ela disse que sabia a cerejas. "Este é o segredo da vida" disse Gurdjieff à Inglesa. Ela chamou-lhe charlatão e saiu. Mais tarde nesse dia, deu-lhe o dinheiro e tornou-se uma seguidora devotada.

Para aqueles em busca de transformação ou evolução espiritual, guias como Gurdjieff e Ouspesky prometem a entrada num mundo esotérico de sabedoria mistica antiga. Tal mundo parecem atractivos aos que se sentem numa mar agitado e rude. Existem Centros Gurdjieff Ouspensky em mais de 30 países em todo o mundo, incluindo Portugal. Em Lisboa indica o telefone 8129147 - mas até agora ninguem atende e o 118 não tem a morada).


Links

Peters, Fritz. Gurdjieff (London: Wildwood press, 1976).

Storr, Anthony. Feet of Clay - saints, sinners, and madmen: a study of gurus (New York: The Free Press, 1996). 

recuarhome