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corpos incorruptos

Corpos incorruptos são corpos humanos, inteiros ou partes deles, que supostamente não se decompõem após a morte devido a algum poder sobrenatural que os tornaria aparentemente imutáveis.

A Igreja Católica afirma que existem vários corpos incorruptos, e que eles são sinais divinos da santidade das pessoas a quem eles pertenciam. Talvez. Mas eles são mais provavelmente sinais de um sepultamento cuidadoso ou favorecido pela sorte, combinado com a ignorância a respeito dos fatores que afetam a taxa de decomposição.

Por exemplo, a cabeça decepada do Rei Carlos I da Inglaterra foi exumada após 165 anos e, segundo Sir Henry Halford 

O aspecto da pele era escuro e descolorido. A testa e as têmporas tinham perdido pouco ou nada de sua substância muscular; a cartilagem do nariz se perdeu; mas o olho esquerdo, no primeiro momento da exposição, estava aberto e cheio, embora tenha desaparecido quase que instantaneamente; e a barba pontiaguda, tão característica deste período do reinado do Rei Carlos, estava perfeita. [A cabeça] estava bem molhada, e deu uma coloração vermelho-esverdeada ao papel e ao linho quando os tocou. A parte de trás do escalpo . . . tinha uma aparência extraordinariamente fresca. O cabelo era espesso . . . e com uma aparência quase negra. . . .*

A preservação da cabeça foi acidental, e teve mais a ver com a maneira como ela foi sepultada na Capela de St. George, em Windsor, do que com alguma especial santidade de Carlos I.

Em 1952, houve um caso bem divulgado de um Hindu na Califórnia que entrou em mahasamadhi e cujo corpo, afirmou-se, parecia incorrupto. Paramahansa Yogananda foi o fundador da Self-Realization Fellowship, que afirma que

Em 7 de março de 1952, Paramahansa Yogananda entrou em mahasamadhi.... Sua passagem foi marcada por um fenômeno extraordinário. Um declaração reconhecida, assinada pelo Diretor do Forest Lawn Memorial-Park testemunhava: "Nenhuma desintegração física era visível em seu corpo, mesmo vinte dias após a morte.... Este estado de perfeita preservação de um corpo é, até onde sabemos pelos anais mortuários, sem paralelos.... o corpo de Yogananda estava aparentemente em um fenomenal estado de imutabilidade."*

Embora a declaração do diretor do Forest Lawn seja provavelmente correta, a alegação do SRF de que a falta de desintegração física seja "um fenômeno extraordinário" é enganosa. (Sabe-se lá quanta pesquisa nos anais mortuários eles fizeram. Muito pouca, eu imagino.) O estado do corpo do iogue não é sem paralelos, mas comum. Um corpo embalsamado típico não apresentará nenhum ressecamento perceptível de um a cinco meses após o sepultamento, sem o uso de refrigeração ou cremes para mascarar odores. Segundo Jesus Preciado, que está no ramo mortuário há trinta anos, "em geral, quanto menos pronunciada a patologia [no momento da morte], menos notáveis são os sintomas da necrose." Alguns corpos ficam bem preservados por anos após o sepultamento (correspondência pessoal, Mike Drake). Alguns, sob condições extraordinárias, ficam bem preservados por centenas, ou mesmo milhares de anos.

Corpos humanos imutáveis são, em última análise, casos de aparente imutabilidade. Se dermos a eles o tempo suficiente e os removermos de condições especiais que retardam o processo de decomposição (como ausência de oxigênio, bactérias, vermes, luz, etc.), todos os corpos humanos e partes do corpo se desintegram.

leitura adicional

Quigley, Christine. Modern Mummies: The Preservation of the Human Body in the Twentieth Century (Múmias Modernas: A Preservação do Corpo Humano no Século XX) (McFarland & Company, 1998). $35.00

©copyright 2000
Robert Todd Carroll

Traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2001-06-24

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