T. Lobsang Rampa

Talvez os portugueses mais novos não o conheçam, mas os outros devem lembrar-se do êxito que foram os seus livros, nomeadamente o best-seller internacional "O Terceiro Olho". Ainda hoje basta entrar em qualquer livraria para se encontrarem os seus livros.

Quem era Rampa? Segundo ele afirmava, tinha sido iniciado no Tibete desde a mais tenra idade, onde o próprio Dalai-Lama reparara nele. Este, para reforçar os seus dons de vidência, tinha-o submetido a uma operação ao cérebro chamada "abertura do terceiro olho", que o fizera ascender a um plano de consciencia superior.

Com o seu sucesso veio a pergunta: quem era este velho Sábio, que vivia como eremita, longe dos admiradores e da curiosidade vã deste mundo, afirmando-se doutorado de medicina pela Universidade de Tchong-k'ing e Lama do mosteiro de Potala em Lhassa?

1 de Fevereiro de 1958. Daily Mail. O ilustre lama Lobsang Rampa não passa de um inglês de Dublin chamado Cyril Henry Hoskins, filho de um canalizador, nunca tendo saído de Inglaterra!! O artigo continua com as revelações de um detective particular, Clifford Burgess, que vivera durante uns tempos na corte que cercava Rampa. Tinha mulher e a vida normal de qualquer cidadão de Sua Majestade. Tudo nos seus livros era inventado.

O que faria você se fosse apanhado em tal mentira? Penso que se escondia numa gruta ou emigrava para a América do Sul... Mas como qualquer bom profissional do embuste, Rampa não fez nada disso. Uma semana depois declarava aos jornalistas "ser realmente um lama reencarnado há nove anos no corpo de um inglês." Acusado de mentir, Rampa mudava de versão e chamava em seu socorro a reencarnação e a viagem astral.

Para uma pessoa normal, Rampa estaria arrumado. Mas a verdade é que continuou a gozar os direitos dos seus livros, a venda das suas "Pedras Tranquilizantes". Foi telepata, magnetizador, astrólogo, cartomante, tarólogo, medium, enfim, um homem orquestra do paranormal. O livro de que mais gosto é aquele em que descreve a viagem a bordo de um disco voador.

Morreu em 1981, no seguimento de uma crise cardiaca que não prevera, não chegando a assistir à guerra mundial que prevera para 1985. Pelas minhas contas deve reencarnar em breve para escrever novos best-sellers.    

Como é possivel um êxito destes? Penso que porque, para os ocidentais, o Tibete é "o" lugar mistico. Como afirma o tibetologista P.Bishop, o Tibete é "o lugar imaginado". No Tibete são possiveis coisas que não se podem realizar nos suburbios de Lisboa. Incluindo fraudes feitas em seu nome.

céptico     

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