Lysenkismo

O nome refere-se a um episódio da ciência russa relacionado com um agricultor não cientifico chamado Trofim Denisovich Lysenko (1898-1976). Lysenko foi o principal defensor do Michurianismo durante os anos de Lenine/Estaline. I. V. Michurin, por sua vez, era um proponente do Lamarckismo. Lamark foi um cientista francês do século 18 que defendeu uma teoria da evolução antes de Darwin. A teoria de Lamark, contudo, foi rejeitada pelos cientistas evolucionário porque não era tão poderosa a explicar a evolução como a selecção natural.

De acordo com Lamark, a evolução ocorre porque os organismos podem herdar traços que foram adquiridos pelos seus antepassados. Por exemplo, as girafas encontram-se num ambiente em mudança em que só sobrevivem se comerem as folhas no alto das árvores. Portanto os seus pescoços alongam-se, e este alongar e o desejo de alongarem o pescoço é passado (de algum modo) às gerações futuras. Como resultado, uma espécie de animal com pescoços originalmente curtos evolui para uma espécie com o pescoço longo.

A selecção natural explica os pescoços longos das girafas como resultado do trabalho da natureza que permitiu esta espécie alimentar-se das folhas mais altas. Não havia um propósito a passar às gerações futuras. Apenas havia um ambiente que incluia árvores altas e comida favorável a animais de pernas altas e pescoços compridos. De acordo com a selecção natural, se essa fosse a unica fonte alimentar disponivel, apens animais com o pescoço longo, ou animais que pudessem trpar ou voar, sobreviveriam. Todos os outros se extinguiriam. Não há aqui nenhum plano, divino ou não. Tambem nada há de especial no facto de uma espécie sobreviver. Sobrevivência dos mais capazes significa apenas que sobrevivem os mais aptos para isso. Não significa que os que sobrevivem são superiores aos outros. Sobreviveram porque eram capazes de se adaptar melhor ao seu ambiente, isto é, tinham pescoços compridos quando havia uma fonte de alimento no alto das árvores e não havia desvantagens catastróficas na sua latura. Por exemplo, se uma espécie se tornasse tão alta que fosse incapaz de se reproduzir, extinguir-se-ia. Ou se a unica fonte de alimento disponivel tivesse uma substância que as tornasse estéreis, não haveria mais girafas, por mais força e desejo que tivessem de se tornaram potentes.

O Lamarkismo é apoiado pelos que veem a vontade como a força primária da vida, como por exemplo a filósofo francês do sec. 20, Henri Bergson. O Darwinismo é odiado por todos os que acreditam que Deus criou tudo e que tudo tem um propósito. Poderia pensar-se que os Marxistas prefeririam Darwinism com o seu conceito mecanicista, materialista, determinista, da selacção natural. O Lamarkismo pareceria ser preferido pelos defensores do mercado livre com a enfase no esforço, trabalho e escolhas. Mas tambem a Russia e a União Soviética não eram marxistas, não é?

De qualquer modo, a visão de Michurin sobre evolução encontrou o apoio dos lideres da União Soviética. Enquanto o resto do mundo seguia as ideias de Mendel e desenvolvendo a nova ciência da genética, a Russia esforçou-se em impedir a nova ciência de se desenvolver na União Soviética. Enquanto o resto do mundo não podia compreender a evolução sem genética, a União Soviética usou o seu poder politico para impedir que os seus cientistas advogassem o papel da genética na evolução.

Foi devido aos esforços de Lysenko que muitos cientistas, que eram genéticistas ou rejeitavam o Lamarkismo a favor da selecção natural, foram enviados para gulags ou simplesmente desapareceram da USSR. Lysenko tomou uma posição dominante numa conferência em 1948 na Russia quando denunciou Mendel como "reaccionário e decadente" e declarou esses pensadores como "inimigos do povo Soviético." Tambem anunciou que o seu discurso tinha sido aprovado pelo Comité Central do Partido Comunista. Os cientistas ou escreveram cartas publicas confessando os seus erros e a sabedoria do Partido, ou eram demitidos. Alguns foram enviados para campos de trabalho. De alguns não se tornou a ouvir falar.

Sob a liderança de Lysenko, passou a ser guiada, não pelas experiências controladas, mas pela ideologia desejada. A ciência era praticada ao serviço do Estado, ou mais precisamente, ao serviço da ideologia. Os resultados eram previsiveis: a rápida deterioração da biologia Soviético.

Pode algo similar acontecer noutros paises? Podemos argumentar qua já sucede. Primeiro, temos o movimento criacionista que tentou, e, em alguns casos conseguiu, banir o ensino da evolução em escolas dos Estados Unidos. Por outro lado, há alguns cientistas que estão a fazer ciência em nome da ideologia: não o do fundamentalismo religioso mas da superioridade racial. Lysenko opunha-se ao uso da estatística, mas se soubesse como ela podia ser util ao serviço de uma ideologia, tinha mudado de ideias. Se visse o que J. Philippe Rushton, Arthur Jensen, Richard Lynn, Richard Herrnstein ou Charles Murray fizeram com dados estatisticos para apoiar as suas teorias de superioridade racial, Lysenko talvez tivesse criado um departamento de Estatisticas do Soviete Supremo e provado com a magia dos numeros a superioridade do Lamarkismo sobre a selecção natural e a genética. Porque estes pseudocientista sociais nunca viram uma correlação estatistica que não pudessem tornar numa relação causal para suportar a sua ideologia racista. Lysenko podia ter feito o mesmo com a sua ideologia Michuriana/Lamarkiana.


Links

"Lysenkoism," ch. 12 in Fads and Fallacies in the Name of Science, Martin Gardner (New York: Dover Books, 1957).

"Lysenkoism," in The Dialectical Biologist por Richard Levins e Richard Lewontin (Boston: Harvard University Press, 1985).

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