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Robert Todd Carroll

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percepção vegetal (também conhecida como percepção primária ou Efeito Backster)

As plantas são seres vivos que possuem paredes celulares de celulose, desprovidos de órgãos nervosos ou sensoriais. Os animais não têm células com paredes de celulose, mas possuem os referidos órgãos.

Jamais ocorreria a um fisiologista de animais ou plantas testar se estas possuem consciência ou ESP, pois seu conhecimento seria suficiente para descartar a possibilidade de que elas tivessem percepções ou sentimentos semelhantes aos humanos. Em termos leigos, plantas não têm cérebro, nem nada semelhante a um cérebro.

No entanto, uma pessoa completamente ignorante a respeito de ciências vegetais e animais não só pesquisou percepções e sentimentos em plantas, como afirma ter provas científicas de que elas experimentam uma ampla gama de emoções e pensamentos. Chama-se Cleve Backster e publicou suas pesquisas em 1968 no International Journal of Parapsychology ("Evidence of a Primary Perception in Plant Life" [Indícios de uma Percepção Primária em Vida Vegetal] 10, 1968).

As alegações de Backster foram refutadas por Horowitz, Lewis e Gasteiger (1975) e Kmetz (1977). Este resumiu os argumentos contra Backster em um artigo para a Skeptical Inquirer em 1978. Backster não tinha utilizado controles adequados em seu estudo. Quando foram aplicados controles, não se detectou nenhuma reação a pensamentos ou ameaças. Esses pesquisadores descobriram que os contornos registrados no polígrafo poderiam ter sido causados por numerosos fatores, entre os quais a eletricidade estática, movimentos na sala, alterações na umidade, etc.

Apesar disso, Backster tornou-se o ídolo de vários defensores de idéias ocultas, parapsicológicas e pseudocientíficas. Seu trabalho já foi citado na defesa da rabdomancia, * de diversas formas de teorias "energéticas", * da visão remota, * e do programa Silva de controle da mente (atualmente conhecido como Método Silva). Em 1995, Backster foi convidado a participar da Convenção Silva Internacional, em Laredo, no Texas. Trinta anos depois, ele ainda conta a mesma história, que é bastante reveladora e vale a pena ser contada por revelar a curiosa natureza do cientista, assim como sua aparente ignorância a respeito dos perigos da predisposição para a confirmação e da auto-ilusão. Backster demonstrou não compreender por que os cientistas usam controles em estudos de causalidade.

o "laboratório" & a experiência Eureka!

Backster nos conta que realizou sua primeira experiência com plantas em 2 de fevereiro de 1966, em seu laboratório na cidade de Nova York. O "laboratório" não era um laboratório científico. Na verdade, desde o início, nem sequer era um laboratório. Era apenas um local onde ele ministrava treinamentos no uso do polígrafo, ou "detetor de mentiras". Havia uma planta na sala. Ele relembra o seguinte:

Por algum motivo qualquer ocorreu-me que seria interessante descobrir quanto tempo levaria para que água, partindo da raiz da planta, percorresse todo o longo caule até chegar às folhas.

Após regar a planta ao máximo, eu pensei, "Minha nossa! Eu tenho bastante equipamento de poligrafia por aqui. Que tal se eu ligar numa folha a seção do polígrafo de resposta galvânica da pele?"

A seção de resposta galvânica da pele (GSR) do polígrafo mede a resistência da pele a uma pequena corrente elétrica. Os defensores do polígrafo acham que as respostas galvânicas da pele têm relação com a ansiedade, e logo com a honestidade da pessoa. A teoria diz que quando uma pessoa mente fica ansiosa, e que a quantidade de suor aumenta de forma suave mas mensurável. À medida que a transpiração aumenta, a resistência à corrente elétrica diminui. Backster mostra-se claramente um indivíduo muito curioso. Uma pessoa menos inquisitiva provavelmente não ligaria para quanto tempo iria levar para que a água chegasse da raiz até as folhas numa planta de escritório. Backster não só deu importância a isso como usou seu equipamento de poligrafia como instrumento de medição. Raciocinou da seguinte forma:

Achei que, assim que a água contaminada subisse pelo tronco e descesse até a folha, esta, ao tornar-se mais saturada e mais condutiva, me daria o tempo de subida da água.... Eu seria capaz de obter isso através do gráfico do polígrafo.

Por que iria o polígrafo indicar isso? Porque, segundo Bacskter, ele estava usando um "circuito de ponte de Whetstone, que é projetado para medir mudanças de resistência." Presumivelmente, seriam captadas mudanças de resistência pelo polígrafo assim que água alcançasse a folha. Ele previu que a resistência iria cair lentamente e que as linhas no papel do polígrafo iriam subir assim que a água atingisse a folha. Ocorreu o contrário, coisa que, segundo ele, "surpreendeu-me um pouco."

Ao que parece, ele moveu os eletrodos e observou que os contornos do gráfico do polígrafo eram "os contornos de um ser humano sendo testado, reagindo quando se faz uma pergunta que poderia colocá-lo em dificuldades." Backster afirma que então perdeu o interesse em medir quanto tempo a água levaria para ir das raízes às folhas da planta. Diz ter achado que ela estava tentando "mostrar-me reações semelhantes às de pessoas." O pensamento seguinte foi: "O que eu poderia fazer que representasse uma ameaça ao bem estar da planta, semelhante ao fato de que uma pergunta relevante sobre um crime poderia representar uma ameaça a uma pessoa, submetida a um teste no polígrafo, e que estivesse mentindo?" Isso é realmente fantástico. O contorno do gráfico despertou em Backster uma imediata identificação da planta com as pessoas que ele costuma testar. Até aquele momento, aparentemente, ele nunca tinha suspeitado de que as plantas do escritório eram iguais às pessoas e que responderiam de forma semelhante. Não está bem claro por que ele pensou em ameaçar a planta. Também não está claro por que a resposta ao bem estar de uma pessoa resultaria no mesmo tipo de reação que a de ser apanhado mentindo. Ao menos, Backster parece não ter levado seriamente em conta a idéia de que a planta poderia tentar enganá-lo.

Backster afirma ter tentado obter uma reação por parte da planta durante 13 minutos e 55 segundos, fazendo coisas como mergulhar uma folha em café quente, mas não obteve resposta. Um investigador menos dedicado poderia ter desistido e ido para casa. Mas não ele, que entendeu que a planta estava entediada. Foi então que teve a idéia para a sua experiência Eureka!: "Já sei o que vou fazer: queimar a folha da planta, exatamente a que está ligada ao polígrafo." Não está clara a razão pela qual ele queimaria a folha, já que isso (a) eliminaria sua umidade, tornando a medição da resposta galvânica impossível, e (b) poderia danificar o equipamento conectado a ela. De qualquer forma, Backster nos conta que houve um problema para levar adiante o plano: não tinha fósforos. Afirma, no entanto, que ao postar-se a cerca de um metro e meio da planta, o polígrafo "entrou em intensa agitação." Em lugar de concluir que talvez a água tivesse finalmente chegado à folha, Backster convenceu-se de que a planta estava reagindo à sua intenção de queimá-la. Esta é uma inferência realmente interessante para se fazer naquele momento. Ele não dá nenhum sinal de ter sequer considerado a possibilidade de haver outras explicações possíveis para o movimento do polígrafo. Isso pode dar a alguns leitores a impressão de ser uma boa coisa, de que uma mente favorecida capta a verdade instantaneamente. Mas, na verdade, isso é mau porque a intuição de uma pessoa pode estar errada. O mais curioso é que, após mais de trinta anos de experiências, ainda não haja nenhuma prova de que Backster e seus muitos defensores tenham percebido a importância de se usar controles em seus estudos sobre a suposta percepção das plantas.

De qualquer forma, voltando à experiência original: Backster admite ter cometido uma pequeno furto em nome da ciência: foi a outro escritório, abriu a gaveta de uma secretária e tirou alguns fósforos. Quando voltou ao experimento acendeu um deles. Mas, cientista cuidadoso e observador que era, percebeu que, como a máquina estava muito agitada, não seria capaz de medir nenhuma agitação adicional. Assim, abandonou a sala e quando retornou "as coisas tinham se normalizado novamente, o que criou as condições perfeitas e me proporcionou uma observação de altíssima qualidade." Não está claro o que ele quer dizer com "observação de altíssima qualidade". A verdadeira genialidade de Backster se revela em seu comentário final sobre a extraordinária experiência:

Então chegou o meu parceiro da escola de poligrafia que tínhamos na época. Ele foi também capaz de fazer a mesma coisa, contanto que tivesse a intenção de queimar a folha da planta. Se apenas fingisse que iria queimar a folha, ela não reagia.

Ela podia saber a diferença entre fingir que iria fazer e realmente fazê-lo, o que é por si só bastante interessante sob um ponto de vista de psicologia vegetal.

Psicologia vegetal? Suspeito que Backster tenha inventado isso naquela noite. Se tivesse um mínimo conhecimento a respeito da importância de se utilizar controles em estudos que tentam estabelecer causalidades, talvez tivesse procedido de maneira diferente. O primeiro passo é definir claramente o que se está testando, e em que consiste cada passo do procedimento. Backster e seu colega não tinham uma idéia clara da diferença entre pretender queimar a planta e fingir pretender queimá-la. Em seguida, poderia ter ocorrido a eles que poderia existir um modo melhor de se medir a corrente elétrica em plantas do que usar um polígrafo. Poderiam ter consultado especialistas e preparado uma experiência com equipamento adequado. Assim que tivessem estabelecido claramente o que se estava testando e como iriam testá-lo, poderiam ter executado vinte testes com a secretária fazendo as ações de pretender realmente ou fingir, sem que eles soubessem qual era o quê, e coletando os dados do polígrafo. Diriam a um terceiro quais dos testes indicavam fingimento e quais indicavam intenção, e ele compararia as alegações deles com os dados da secretária. O terceiro também se encarregaria de assegurar que os poligrafistas não pudessem ver o que a secretária fazia durante a experiência, para que não fossem influenciados por algo no comportamento dela. Então, apenas para se ter certeza de que não tenha sido algum movimento feito pela secretária que tenha feito o polígrafo reagir quando ela pretendia queimar a planta, os movimentos de intenção e de fingimento deveriam ser exatamente os mesmos. Backster deveria ter feito várias tentativas com várias plantas diferentes. E provavelmente não deveria ter regado a planta logo antes de fazer o experimento. Deveria saber que as mudanças de umidade afetariam as leituras de GSR. O fato é que ele nunca fez nada parecido com uma experiência controlada e não esta mais próximo hoje do que em 1966 de entender por que o polígrafo traçou os contornos que traçou quando foi conectado à planta. Os admiradores de Backster podem não estar mentindo quando dizem que a experiência dele foi repetida milhares de vezes pelo mundo afora. Infelizmente, a repetitibilidade só justifica afirmar que um resultado é provavelmente verdadeiro se a experiência original tiver sido executada da maneira apropriada.

semeando e colhendo

As alegações de Backster vêm sendo propagandeadas e apoiadas por várias pessoas com qualificações e conhecimentos equivalentes aos dele: o jornalista Peter Tompkins e o jardineiro Christopher O. Bird escreveram The Secret Life of Plants [A Vida Secreta das Plantas], publicado em 1989, uma apresentação dos trabalhos de Backster e outros "cientistas" que supostamente prova que as plantas pensam, sentem e possuem emoções. Bird é o autor de Modern Vegetable Gardening [Jardinagem Moderna de Vegetais] e Tompkins tem vários livros de "segredos": Secrets of the Great Pyramid [Segredos da Grande Pirâmide] (1997), The Secret Life of Nature: Living in Harmony With the Hidden World of Nature Spirits from Fairies to Quarks [A Vida Secreta da Natureza: Vivendo em Harmonia com o Mundo Oculto dos Espíritos da Natureza, de Fadas a Quarks] (1997) e Secrets of the Soil: New Solutions for Restoring Our Planet [Segredos do Solo: Novas Soluções para Restaurar Nosso Planeta] (1998).

Outro que apóia e expõe a obra de Backster é Robert B. Stone, Ph.D. e membro do Mensa, autor de The Secret Life of Your Cells [A Vida Secreta Das Suas Células], publicado em 1994. Stone também é o autor do Método Silva (o programa de controle da mente e auto-cura de Jose Silva) e de Silva's Method: Unlocking the Genius Within [Método Silva: Desbloqueando o Gênio Interior]. Stone e Silva escreveram um livro juntos: You the Healer [Você, o Curandeiro]. No entanto, caso alguém procure na literatura científica por algum respaldo à idéia de que plantas pensam, sentem e vivenciam emoções, buscará em vão.

A despeito da falta de apoio científico à idéia da percepção vegetal, ela é aceita por muitos como não só verdadeira, mas como verificada por numerosos estudos científicos! O apoio às alegações de Backster é desproporcional aos indícios apresentados, mas não é só isso. O poder das plantas de entender os pensamentos humanos "lendo" nossos "campos bioenergéticos" é conhecido entre os parapsicólogos como o efeito Backster.*

A seguir, exemplos típicos dos testemunhos em defesa das alegações de Backster. Observe como ecoam a afirmação de que a experiência foi duplicada várias vezes por várias pessoas diferentes. Nenhum desses testemunhos menciona os estudos críticos que, além de não conseguirem comprovar as alegações de Backster, também explicam por que seus estudos eram falhos.

Cleve Backster usou um polígrafo (detetor de mentiras) para testar plantas, conectando eletrodos às folhas. Através do registro de impulsos elétricos, descobriu que as plantas eram extremamente sensíveis aos pensamentos dele, particularmente aos que ameaçavam o bem estar delas. Backster também observou a reação de uma planta quando mesmo as menores células eram mortas perto dela. Observou que elas tinham uma espécie de memória, reagindo a alguém que anteriormente tinha feito algum mal a outra planta próxima: numa fila de pessoas anônimas, a planta podia descobrir qual delas tinha executado o ato (John Van Mater, teósofo).*


Cleve Backster ficou famoso, e tem sido desde 1968, quando foi o primeiro a afirmar que as plantas possuem percepções primárias capazes de sentir pensamentos humanos e responder a eles. Isso foi o mesmo que dizer que PLANTAS têm consciência, são telepáticas e podem processar informações não-físicas. Isso, naturalmente, chocou, irritou e horrorizou a todo tipo de cientistas, e Backster foi ridicularizado na mídia -- para o deleite dos parapsicólogos da linha dura, que na época não tinham nada de bom a dizer a respeito dele. * Para ajudar a corrigir essa triste rejeição de Backster, não foi antes do final dos anos de 1980 que os neurobiólogos descobriram e confirmaram que as plantas possuem mesmo "percepções primárias" porque têm "redes neurais rudimentares."* [Essa alegação de Ingo Swann é pura bobagem. Neurobiólogos não estudam plantas e uma pesquisa sobre o efeito Backster nos anais da literatura neurobiológica não encontrará nada.]


...a rabdomancia de mapas tem uma explicação tão simples quanto a rabdomancia in loco. A que é feita em mapas parece estar relacionada ao que às vezes é chamado de "Efeito Backster". Especialista em detetores de mentiras, Backster conectou um dispositivo de resposta galvânica da pele à folha mais alta de uma planta. Esse dispositivo mede a resistência elétrica da pele. Ele então regou a planta, confiante de que iria medir quanto tempo a água levaria para alcançar a folha e alterar sua resistência. Em lugar disso, o detetor prontamente indicou o que seria um efeito da felicidade numa pessoa. Isso o surpreendeu, e assim ele decidiu traumatizar a planta queimando uma folha. Ela demonstrou uma resposta de medo no detetor assim que ele teve esse pensamento. A experiência de Backster foi reproduzida milhares de vezes por várias pessoas usando diversas variações e tem sido muito bem divulgada pela televisão e em muitos livros (Walt Woods, rabdomante de mapas).*


Os trabalhos de Backster no fim dos anos 60 e início dos 70 foram uma importante inspiração para o best seller The Secret Life of Plants [A Vida Secreta das Plantas], de Peter Tompkins e Christopher Bird. Nos anos 80, sua obra foi relatada por Robert Stone em The Secret Life of Your Cells [A Vida Secreta das Suas Células]. Sua jornada de pesquisas começou com a redescoberta quase acidental, em 1966, de que as plantas são sensíveis e respondem às emoções espontâneas e às intenções fortemente expressas de seres humanos importantes. (J. Chandra Bose*, da Índia, demonstrou um princípio semelhante no início do século 20.) Usando um instrumento que mede respostas galvânicas da pele (GSR), uma parte de seu polígrafo ou detetor de mentiras, Backster tentou determinar se este mediria o momento da reidratação de uma planta cujas raízes tinham sido regadas recentemente. Não funcionou, mas para sua surpresa, o medidor GSR registrou sua ameaça de queimar a folha da planta quando pensou espontaneamente na idéia....

Literalmente centenas de experimentos nos últimos trinta anos provaram a existência dessa biocomunicação conhecida como "Efeito Backster." Minha própria participação pessoal numa dessas experiências não me deixou dúvidas de que uma cultura de iogurte numa gaiola blindada demonstrou reações extraordinárias a sentimentos que foram despertados em mim e minhas colegas, quando discutíamos questões controversas sobre sexo e poder. Curiosamente, o iogurte não reagiu a períodos de discussão intelectual sobre os mesmos assuntos. Só se tornou agitado quando nossos comentários estavam carregados de emoção (Paul Von Ward, MPA e M.S., pesquisador e escritor sobre os campos da "consciência e ciências fronteiriças").*


Em 1969, Marcel [Joseph Vogel] ministrou um curso sobre criatividade para engenheiros da IBM. Foi nessa época que ele leu um artigo na revista Argosy intitulado "Plantas Sentem Emoções?" sobre os trabalhos de Cleve Backster, perito em polígrafos, a respeito da resposta das plantas à interação com seres humanos. Apesar da rejeição inicial do conceito da comunicação homens-plantas, decidiu explorar essas estranhas alegações.

Ele foi capaz de reproduzir o efeito Backster usando plantas como transdutores para os campos bioenergéticos que a mente humana emite, demonstrando que os vegetais respondem a pensamentos. Utilizou Filodendros de folhas divididas conectados a uma ponte de Wheatstone, que comparava uma resistência conhecida a uma desconhecida. Descobriu que, quando expirava lentamente, não havia praticamente nenhuma reação da planta. Quando pulsava a respiração através das narinas, enquanto mantinha um pensamento em mente, a planta reagia sensivelmente. Também foi descoberto que esses campos, associados à ação de respirar e pensar, não têm um limite de tempo significativo. A resposta das plantas ao pensamento foi também a mesma a oito polegadas, a oito pés ou a oito mil milhas! Com base nos resultados das experiências, a lei do inverso do quadrado não se aplica ao pensamento. Isto foi o início da transformação de Marcel de um cientista puramente racional num cientista espiritual ou místico.

Basicamente, descobriu-se que as plantas respondem mais intensamente ao pensamento de serem cortadas, queimadas ou rasgadas do que ao ato real. Marcel constatou que, se rasgasse um folha de uma planta, uma segunda planta reagiria, mas somente se ele estivesse prestando atenção nela. As plantas pareciam estar espelhando as respostas mentais do cientista. Ele concluiu então que as plantas agiam como baterias, armazenando a energia de seus pensamentos e intenções. Comentou a respeito desses experimentos: "Descobri que há energia conectada ao pensamento. O pensamento pode ser pulsado e a energia conectada a ele se torna coerente e tem um poder semelhante ao do laser." (Rumi Da, comerciante de cristais finos).*


Nos anos setenta, um best-seller chamado The Secret Life of Plants [A Vida Secreta das Plantas] apresentou pesquisas científicas feitas em todo o mundo explorando a inteligência das plantas. O capítulo que mais me impressionou descrevia um policial aposentado da cidade de Nova York, chamado Cleve Backster, que ensinava as pessoas a operar detetores de mentiras. Por brincadeira, conectou suas plantas a um polígrafo para que pudesse monitorar suas respostas.

Certo dia, Backster aproximou um fósforo aceso de sua Dracaena Massangeana, como se fosse queimá-la. Não só a planta se mostrou agitada no polígrafo como também todas as outras plantas no lugar. Ele mal podia acreditar. Continuando a experimentar, descobriu que elas reagiam a seus pensamentos, mesmo quando estava a quilômetros de distância. Um dia, na estrada de Nova Jersey, decidiu informá-las, através do pensamento, de que estava a caminho de casa. Quando chegou, descobriu que as plantas tinham respondido intensamente nos gráficos no exato instante em que ele se comunicava com elas. A proximidade não é um fator na capacidade que elas têm de captá-lo!

Qualquer um pode desenvolver essa habilidade. Todos a temos dentro de nós. Tudo o que precisamos fazer é reconhecer a possibilidade de que ela seja verdadeira e então prosseguir com a mente e o coração abertos (Judith Handlesman, vegetariana e jardineira espiritual).*


Cleve Backster, amigo nosso, é definitivamente um cientista pioneiro. Pode ser criticado por ser pobre em promover suas descobertas. Suas publicações escassas poderiam ter ganho um peso adicional se ele tivesse apresentado uma análise meticulosa das flutuações naturais do potencial produzidas pelas preparações in vitro de células brancas do sangue. O planejamento do teste também poderia ter sido melhorado informando-se as reações fisiológicas de um doador e estabelecendo-se uma melhor correlação entre este e a atividade elétrica as células. No entanto, deve-se julgar uma pessoa pelo que ela fez, e não pelo que deveria ter feito.

A questão é por que, nos 10 anos desde a publicação dos primeiros resultados de Backster, ninguém no mundo se deu ao trabalho de repetir o experimento. [Isso não é verdade. Veja Horowitz, et al. & Kmetz.] O custo claramente não é a razão -- é muito mais barato que qualquer experiência bioquímica. Afinal, o experimento poderia ter sido executado em animais de laboratório.

Se os resultados de Backster fossem confirmados, isso poderia teria aberto um ramo totalmente novo de pesquisa científica, com um impacto de grandes proporções nas ciências biológicas. Muitos de nós sabem a resposta: ela se encontra no domínio da psicologia social e política da ciência, e envolve nossa dignidade como cientistas e seres humanos (Robert B. Stone, Ph.D.. escritor, formado no M.I.T., membro da Academia de Ciências de Nova York, membro do Mensa e pesquisador da comunicação mente/corpo). *

Parece claro que Backster tem seus seguidores e que eles acham que ele fez um trabalho fundamental e extraordinário na ciência. Por que ele não ganhou um Prêmio Nobel? Por que a quase totalidade da comunidade científica o ignora? A resposta deveria ser óbvia. No entanto, ele prossegue em seus trabalhos no Backster Research Center em San Diego, na California, onde alega ser capaz de demonstrar que suas plantas respondem a seus afetuosos pensamentos e até mesmo obedecem a seus comandos mentais. *

Ingo Swann

Um dos maiores admiradores e defensores de Backster é Ingo Swann, divulgador da visão remota ("Remote Viewing - The Real Story" [Visão Remota - A História Real]). Swann é aquele que foi citado acima, falsamente afirmando que a obra de Backster teria sido confirmada nos anos 80 pelos neurobiólogos, quando se descobriu que as plantas possuem redes neurais. Em 1971, segundo Swann, Backster o convidou a visitar seu laboratório de plantas e escola de poligrafia. Lá, Ingo afirma ter também feito a agulha do polígrafo ligado à planta "disparar" quando pensou em queimá-la com um fósforo. Foi capaz de repetir o evento várias vezes e não conseguiu obter resposta. Swann lembra-se do evento e apresenta o que Backster pensa ser uma conclusão lógica. Naturalmente, nenhum deles pensou na possibilidade de ter se enganado ou iludido. Não ocorreu a nenhum deles que deveriam ter estabelecido controles.

"O que significa ISSO?" perguntei. "Diga-me você." Então me ocorreu um pensamento bem assustador, tão impressionante que provocou arrepios. "Você quer dizer," perguntei, "que ela APRENDEU que eu não pensava seriamente em queimar realmente sua folha? Assim ela agora sabe que não precisa se alarmar."

Backster sorriu. "Foi VOCÊ quem disse isso, não eu. Tente outro tipo de pensamento perigoso." Então pensei em colocar ácido no vaso da planta. Bingo! Mas a mesma "curva de aprendizado" logo se repetiu. Agora eu já entendia na minha própria "realidade" que as plantas são sensíveis e telepáticas, como o sabem todos os amantes de plantas que falam com as suas. Mas a descoberta de que aquelas plantas podiam APRENDER a discernir entre intenções humanas verdadeiras e artificiais caiu como um raio! Em meio a todo esse assombro, deparei-me com o conceito da "curva de aprendizado" que acabaria desempenhando o papel principal no desenvolvimento da visão remota.

Mas Backster prosseguia. "Você acha que poderia influenciar algum tipo de metal ou produto químico?" "Eu não sei como influenciar coisa alguma. Mas posso tentar." Assim, por várias semanas, fui ao laboratório de Times Square tentar atingir metais e substâncias químicas -- e a marcha na direção do que eu estava inconscientemente sendo atraído prolongou-se até outubro de 1971. *

Esse tipo de abordagem amadorística aos experimentos e esse reforço ingênuo de especulações como se fossem fatos estabelecidos por provas incontroversas é típico de Backster e os que o apóiam. Um cientista com discernimento jamais seria iludido por raciocínios rudimentares e especulações como essas. Mas uma pessoa cientificamente ignorante poderia facilmente ser tapeada por essas experiências.

o efeito Backster e a religião primitiva

Jim Cranford é mais um defensor de Backster, a quem considera uma fonte de provas de que as religiões animistas realmente se comunicavam com a vegetação.

Embora experiências similares [à de Backster] tenham sido repetidas milhares de vezes, por todo o mundo, por mais de 15 anos deixamos de perceber as implicações. Parte do problema é que Backster não é "cientista" e esses caras não gostam de admitir que ninguém mais saiba alguma coisa. Isso é orgulho e arrogância da pior espécie, mas não é tão incomum nos laboratórios. Até o restante de nós acha difícil acreditar que os "primitivos" se comunicavam mesmo com suas plantas através de rituais e sacrifícios. Simplesmente nos recusamos a acreditar que poderia haver alguma "inteligência" por perto além da nossa, quando vivemos num mundo que é mais inteligente que nós o tempo todo. É óbvio que a nossa visão coletiva das religiões primitivas precisa de uma revisão. *

Ao menos Cranford reconhece que Backster não é um cientista. "Esses caras" exigiriam controles ao fazer estudos causais.

Backster e a Teosofia

Outro defensor das idéias de Backster é o teósofo John Van Mater, Jr., que acredita que os trabalhos de Backster corroboram a idéia de que

... existe uma força vital, uma energia cósmica que envolve os seres vivos, compartilhado por todos os reinos, inclusive o humano.... A natureza é uma grande irmandade de seres, uma simbiose de muitos níveis, a maioria dos quais além de nossa capacidade de detecção e compreensão normal. O reino vegetal é uma camada essencial da vitalidade ou prana do planeta vivo, que ajuda a fornecer em seu metabolismo um órgão respirante e inteligente, que produz e regula a atmosfera, além de transferir energia para a biosfera. As plantas também são um elo na cadeia dos seres, na qual cada reino ou nível precisa dos outros para funcionar e evoluir. (Veja "Our Intelligent Companions, the Plants," [Nossas Companheiras Inteligentes, as Plantas] John Van Mater, Jr., revista Sunrise , abril/maio de 1987 publicada pela Theosophical University Press.)

Assim, a ciência barata de Backster é invocada para dar respaldo a idéias metafísicas, juntamente com seu apoio à rabdomancia, cura energética, telepatia, visão remota e sabe-se lá o que mais.

respaldo científico?

Embora a ciência regular tenha evitado as alegações de Backster sobre plantas telepáticas e sua "percepção primária," o Earthpulse.com, um site OVNI/Ambientalista New Age que vende livros sobre "fronteiras da ciência", supostamente encontrou um botânico chamado Richard M. Klein, da Universidade de Vermont, para fornecer um comentário de capa para A Vida Secreta das Plantas.

Se eu não posso 'entrar numa planta' ou 'sentir emanações' de uma planta e não conheço ninguém que possa, isso não diminui em nada a possibilidade de que alguém possa fazê-lo e o faça....

Jamais foram ditas palavras mais verdadeiras. No entanto, uma busca no site da Universidade de Vermont não encontrou nenhum membro do departamento de botânica, nem de nenhum outro, chamado Richard M. Klein. Talvez o Sr. Klein tenha sido abduzido por alienígenas. Ou talvez esteja trabalhando com Backster em como conduzir adequadamente um estudo controlado duplo-cego. Afinal, Backster pode ter finalmente encontrado alguma utilidade para o polígrafo.


*nota 1: É interessante que John Kmetz tenha uma leitura diferente da mídia. Ele escreve: "É lamentável que a imprensa popular tenha encarado os experimentos de Backster e os apresentado ao público de uma forma tal que muitas pessoas atualmente acreditam que as plantas podem fazer algo que na verdade não podem. A imprensa, na maioria das vezes, nunca menciona que os artigos sobre o efeito Backster são baseados em observações de apenas sete plantas. Talvez eles precisem ser lembrados, mais uma vez, que estão fazendo alegações exageradas a respeito de uma experiência que ninguém, inclusive Backster, em função de recusa por parte dele próprio, foi capaz de reproduzir."

*nota 2: Sir Jagadis Chundra Bose era um cientista bengalês e admirador do vitalista francês Henri Bergson.

leitura adicional

Horowitz, K. A., D.C. Lewis, e E. L. Gasteiger. 1975. Plant primary perception [Percepção Primária de Vegetais]. Science 189: 478-480.

Kmetz, J. M. 1977. A study of primary perception in plants and animal life [Estudo da percepção primária na vida animal e vegetal]. Journal of the American Society for Psychical Research 71(2): 157-170.

Kmetz, John M. 1978. Plant perception [Percepção vegetal]. The Skeptical Inquirer. Spring/Summer, 57-61.

©copyright 2001
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2002-03-23

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