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energia

Na física, o conceito básico de energia é a capacidade que um sistema físico possui de realizar trabalho, que é definido como o produto de uma força pela distância ao longo da qual ela age. "Energia" é um termo que expressa o poder de mover as coisas, seja ele potencial ou real. Todo o espiritualismo da Nova Era gira em torno de ganhar poder. Ela fala em aumentar sua energia, conectar-se à energia do universo, manipular a energia para que se possa ser feliz, realizado, bem sucedido e amado, para que a vida possa ser relevante, significativa e infinita. Em resumo, o objetivo da Nova Era é tornar a pessoa como Deus, um ser onipotente e eterno, capaz de fazer mágicas, possuidor do poder de mover coisas à vontade.

Naturalmente, a energia da Nova Era não tem nenhuma relação com a mecânica, com a eletricidade, ou com os núcleos dos átomos. Tem mais relação com coisas como o chi ou o prana. Não é mensurável por qualquer instrumento científico conhecido. Não há ergs, joules, elétrons-volt, calorias ou pés-libras da energia da Nova Era. Somente pessoas especiais, com poderes especiais de "sintonia", "alinhamento", "reequilíbrio", "canalização" ou outra forma de manipulação da energia da Nova Era podem medi-la. Como? Sentindo-a. Elas podem sentir a energia, sentir as vibrações. Estão em sintonia com as cordas cósmicas. Vibram em harmonia com as esferas. E ajudam pessoas. Possuem clientes satisfeitos. As provas, dizem elas, estão nas passas do bolo que se expande eternamente.

Poucas coisas são mais intimidativas para um não-cientista que a física moderna. Mesmo as pessoas esclarecidas têm dificuldades para compreender as mais básicas das afirmações que ela faz a respeito das entidades e possíveis entidades do mundo sub-atômico, sem falar nas afirmações exóticas a respeito de entidades nas fronteiras do universo. Mesmo os conceitos de "sub-atômico" e "fronteiras do universo" confundem a cabeça. Talvez seja em função da obscuridade e inacessibilidade da física moderna que muitas pessoas menos esclarecidas desprezem a ciência e encontrem conforto em interpretações religiosas fundamentalistas sobre a origem e a natureza do universo.

Outra reação à natureza aparentemente transcendental dos conceitos da física moderna tem sido interpretar esses conceitos nos moldes de antigas doutrinas metafísicas, populares por milhares de anos em lugares exóticos (para a mente ocidental) como a Índia e a China. Essa idéia de uma "harmonia" entre a metafísica antiga e a física moderna é atraente para os que aceitam a ciência e rejeitam as seitas cristãs da cultura em que foram educados, mas ainda possuem apreço pelo espiritual. A crença nessa idéia de "harmonia" entre o antigo oriente e o moderno ocidente tem a virtude de permitir que se evite parecer um imbecil que rejeita a ciência para acreditar na religião. Nesse aspecto, ela possui ao menos uma característica em comum com o "criacionismo científico": recria a ciência à sua própria imagem, para atender a seus propósitos. A Ciência é serviçal da Religião e da Metafísica, assim como a Filosofia o foi para a Teologia na idade média.

De forma bem semelhante ao que aceleradores nucleares fazem com átomos, os teóricos da Nova Era quebram os conceitos em pedaços, apenas os pedaços que interferem de formas que Heisenberg jamais previra. Poderíamos muito bem falar em física "alternativa", pois o que fizeram com os conceitos da física moderna foi remodelá-los, transformando-os numa metafísica com tecnologia e linha de produtos própria. Nada demonstra isso mais claramente que o conceito Nova Era de "energia".

Veja verbetes relacionados na página da Energia da Nova Era.

©copyright 2002
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2002-05-06

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