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Robert Todd Carroll

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faquires

O faquir é um iniciado numa ordem Sufi praticante da mendicância. A palavra vem do termo árabe para pobreza. Por extensão, é usada para se referir a homens santos ascéticos indianos, que não vestem nada além de dhotis (tangas). No entanto, o termo é usado principalmente para se referir a mágicos itinerantes indianos, que alegam ser homens divinos.

Os faquires viajam de povoado em povoado e operam "milagres" como materializar vibhuti (cinzas sagradas) ou jóias. Fazem também outros truques de ilusionismo como caminhar sobre brasas, deitar-se numa cama de pregos, engolir fogo, introduzir as mãos em 'óleo' fervente, perfurar a face com longas agulhas, atravessar a carne das costas com grandes ganchos e puxar com eles objetos pesados. Alguns faquires chegam a ter fama de levitar ou de terem executado o famoso truque indiano da corda. Afirma-se que outros ficaram enterrados vivos por meses e sobreviveram para contar a história. Alguns amputam a própria língua e depois a restauram. Outros podem fazer o fogo se materializar do nada. Os faquires às vezes têm cúmplices e fingem fazer exorcismos ou outros feitos estranhos. Após cada performance, passam o chapéu, coletam o que puderem e deslocam-se para o próximo povoado.

Alguns faquires tornam-se muito famosos e são considerados homens divinos, como Sai Baba.

B. Premanand, dos Céticos Indianos, passou mais de 50 anos desmascarando os truques dos faquires. Seu método é simples. Ele mesmo executa os "milagres" dos faquires para demonstrar como são feitos. Abraham Kovoor e Prabir Ghosh, da Associação Racionalista Indiana, levaram adiante o trabalho de Premanand de expor o charlatanismo de Sai Baba, faquires, astrólogos, paranormais e videntes. Foram assunto do documentário britânico "Guru Busters" [Exterminadores de Gurus] (Equinox)*, que acompanhou os Racionalistas pela Índia enquanto estes demonstravam como os homens divinos operam seus "milagres", sem fazer nada de sobrenatural.

A série "Mistérios da Ciência" do canal Discovery incluiu um episódio (20 de outubro de 2001) intitulado "Façanhas Físicas" que era em parte um material reaproveitado de "Exterminadores de Gurus". As câmeras acompanhavam os membros da Associação Racionalista Indiana (IRA) enquanto iam de povoado em povoado fingindo ser faquires. A IRA considera os faquires farsantes que usam truques, prestidigitação, ilusionismo, fraude e outros meios desonestos para convencer aos aldeões ignorantes de que possuem poderes milagrosos. Os membros da IRA caminham sobre fogo e explicam que qualquer um pode fazer isso sem a necessidade de intervenções sobrenaturais. Pisam em vidros, deitam-se em pregos, puxam carros com ganchos cravados nas costas, introduzem longas agulhas nas bochechas e línguas, etc. O objetivo da IRA é desmascarar os faquires e reduzir a superstição dos compatriotas. Eles têm um longo caminho a percorrer, como ficou evidente pela histeria do caso do homem-macaco, que atingiu Nova Delhi na primavera de 2001. Testemunhas relataram à imprensa que teriam visto "um macaco gigante que podia saltar 12 metros no ar e voar pelas janelas." * Outros alegaram ter visto um macaco de 1,20 m que se transformava num gato. Uma mulher grávida caiu por uma escadaria e morreu ao tentar fugir do homem-macaco. Tudo isso foi um boato que explorou a superstição religiosa do povo. Um comentarista declarou

não fôssemos uma nação alimentada por épicos Hindus para nos tornarmos adoradores de Hanumam, a maioria das pessoas teria rido da simples idéia de um homem-macaco e teria considerado as assim chamadas "testemunhas" mentirosas ou dementes desde o início, em lugar de esperar que a comunidade científica desmistificasse esse boato do seu modo manso característico, e assim pusesse um fim nele. Pois, quando se trata de religião, o primeiro "princípio" ensinado pelos sacerdotes aos crentes é o da aceitação cega. Não se pode questionar qualquer dogma religioso quando a pessoa é um crente, e esta deve necessariamente aceitar o dogma/doutrina em sua totalidade.... (Mehul Kamdar)

leitura adicional

*note: A Equinox acompanha as atividade da Associação Racionalista Indiana em sua campanha entre as classes mais humildes para desmascarar os "Homens de Deus" da Índia. Promovem grandes eventos públicos para expor os truques fraudulentos usados pelos gurus e curandeiros locais. A Associação Racionalista Indiana demonstra a ciência que existe por trás de uma ampla gama de milagres vistos diariamente na Índia, como fazer aparecerem cinzas sagradas, produzir fogo através do poder mental, atravessar a língua com agulhas, ser enterrado de cabeça para baixo na areia e caminhar sobre brasas. Chegam a tentar fazer ainda melhor que os gurus, com voluntários puxando com ganchos cravados na pele das costas um jipe, em lugar de uma carroça. Num trecho perturbador do filme, criticam um curandeiro que vendia uma 'poção mágica anti-cobra' para salvar um cão da picada de uma Naja. A Associação Racionalista Indiana tem a esperança de provar que o racionalismo científico é o melhor caminho a ser seguido para fugir da doença e da pobreza. *

©copyright 2001
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2002-03-23

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