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Robert Todd Carroll

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São Januário (San Gennaro)

São Januário, ou San Gennaro, é o santo padroeiro de Nápoles, na Itália. Acredita-se que seu sangue se liquefaça milagrosamente duas vezes por ano: na festa do seu dia em 19 de setembro, e no primeiro sábado de maio. Nessas ocasiões, uma ampola, que supostamente conteria o sangue seco do santo, é retirada da catedral de Nápoles e levada em procissão pelas ruas da cidade. O ritual costumava ser realizado no dia 16 de dezembro, "mas a ocorrência da liquefação era relativamente rara nessas ocasiões --aparentemente devido às temperaturas mais baixas-- e esse costume foi descontinuado" (Nickell, 81). Quando o sangue não se liquefaz, a superstição local diz que um desastre se aproxima.

Esse assim chamado milagre tem ocorrido por cerca de 600 anos sem falhar, segundo os fiéis. Crentes e repórteres acríticos repetidamente confirmam que a substância na forma de um pó guardada na ampola é sangue, e que os cientistas não podem explicar por que ela se liquefaz. No entanto, cientistas italianos que examinaram a ampola de sangue em 1902 e em anos recentes não tiveram permissão para levar uma amostra do material para o laboratório. Permitiu-se que eles lançassem luz através da ampola e, com base numa análise espectroscópica, concluíram que a substância era sangue (Nickell, 78). Não é verdade, porém, que os cientistas não possam explicar por que o material na ampola se liquefaça regularmente. Um professor de química orgânica da Universidade de Pavia, Luigi Garlaschelli, e dois colegas de Milão, ofereceram a tixotropia como explicação. Fabricaram seu próprio "sangue", que se liquefazia e cristalizava, usando giz, cloreto de ferro hidratado e água salgada. Joe Nickell fez o mesmo com óleo, cera e "sangue de dragão" [produto vegetal vermelho escuro].

Os napolitanos são um povo supersticioso. Existem mais ou menos 20 ampolas milagrosas de sangue de vários santos, e quase todas elas estão na região de Nápoles, "sinal de algum segredo regional" (Nickell, 79). Acreditam que se o sangue deixar de se liquefazer o desastre estará próximo. Afirmam que, em pelo menos cinco ocasiões em que o sangue deixou de se tornar líquido, houve acontecimentos terríveis, como a peste em 1.527, e um terremoto no sul da Itália que matou 3.000 pessoas em 1.980. Os proponentes desse suposto milagre não mencionam quantas vezes os desastres não aconteceram depois que o sangue não se liquefez, nem quantas vezes os desastres aconteceram assim mesmo depois que o sangue se liquefez. Embora a apola seja levada em procissão apenas duas vezes ao ano, aparentemente o pó se torna líquido mais que 12 vezes anualmente.* Um pouco de pensamento seletivo parece estar agindo aqui.

Segundo a hagiografia tradicional católica, São Januário foi um bispo decapitado durante o reino do imperador Diocleciano (284-305). No entanto, não há nenhum registro histórico de sua suposta relíquia sangüínea antes de 1.389, mais de mil anos após seu martírio. Alguns duvidam que São Januário tenha sequer existido (Nickell, 79).

A maioria dos céticos está convencida de que o que quer que esteja dentro da ampola está reagindo a algum fenômeno natural, como a mudança da temperatura ou o movimento. Mesmo alguns pensadores religiosos consideram tais 'milagres' fúteis e indignos de Deus.

Veja verbetes relacionados sobre corpos incorruptos e milagres.

leitura adicional

Nickell, Joe. Looking for a Miracle: Weeping Icons, Relics, Stigmata, Visions and Healing Cures [Procurando por um Milagre: Imagens que Choram, Relíquias, Estigmas, Visões e Curas] (Prometheus Books: Buffalo, N.Y., 1993)

©copyright 2000
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2000-09-25

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