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Robert Todd Carroll

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Escola de quiroprática enfurece professores da Universidade Estadual da Flórida

Pseudociência séria: Universidade americana pensou em criar uma escola de quiroprática. Deveríamos primeiro descobrir se isso funciona - de Edzard Ernst, 1 de fevereiro de 2005 The Guardian

O Estudo THAT (Tratamento da Hipertensão com Terapias Alternativas): um teste clínico randomizado.

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quiroprática

A teoria básica da quiroprática afirma que as "subluxações" são a causa da maioria dos problemas de saúde. A "subluxação" é um desalinhamento da coluna que supostamente interferiria com os sinais nervosos vindos do cérebro. Os quiropráticos acham que, ajustando os desalinhamentos, podem restaurar os sinais nervosos e curar os problemas de saúde. Essa teoria foi proposta inicialmente em 1895 por D.D. Palmer, dono de uma mercearia em Davenport, no estado de Iowa. Há pouco respaldo científico para isso. A maior parte do apoio à teoria provém de testemunhos de pessoas que afirmam ter sido curadas pela quiroprática. Não é sempre tão claro se elas teriam sido curadas porque os nervos foram "desbloqueados". A maior parte delas são pessoas com dores nas costas que foram aliviadas pela manipulação da espinha. Isso não é o mesmo que dizer que os quiropráticos não curem pessoas com dores nas costas, inclusive as que têm problemas crônicos. É a teoria das subluxações que não foi corroborada por estudos científicos.

A teoria das subluxações afirma que todos os problemas de saúde se devem ao "bloqueio" de nervos. É verdade que os nervos da coluna se conectam aos órgãos e tecidos do corpo e é verdade que danos a esses nervos afetam o que quer que esteja conectado a eles. Por exemplo, rompa-se a medula espinhal e seu cérebro não poderá se comunicar com os membros, embora os outros órgãos ainda possam continuar funcionando. A quiroprática é freqüentemente holística, e é baseada na crença de que o corpo seja basicamente auto-curativo. Assim, drogas e cirurgias não são recomendadas a não ser em casos extremos. A manipulação da coluna supostamente desbloqueia os nervos, de forma que o corpo possa curar a si mesmo. A quiroprática parece ser uma visão materialista da acupuntura chinesa, usada para desbloquear o chi, ou do toque terapêutico para canalizar o prana. As "agulhas" do quiroprático são suas mãos e dedos, manipulando nervos em lugar de o fluxo do chi. No entanto, a teoria quiroprática das subluxações parece ser testável empiricamente, diferentemente da teoria metafísica da acupuntura desbloqueando o chi. Por que então a medicina tradicional vem se opondo à maior parte da quiroprática? Os quiropráticos raramente atuam em conjunto com médicos e quase nunca fazem parte dos quadros de hospitais. Será que existe uma conspiração por parte da Associação Médica Americana (AMA), que teme que os quiropráticos abocanhem seu lucro, como afirmam muitos deles?

A AMA, é claro, é parcialmente responsável pela reputação da quiroprática como charlatanismo. Durante anos, a associação não escondeu sua desaprovação da quiroprática, que foi assunto do seu Comitê de Charlatanismo. Mas os quiropráticos contra-atacaram e ganharam um importante processo judicial contra ela em 1976 por formação de cartel. Agora a Escola Americana de Cirurgiões publicou um parecer sobre a quiroprática, que encara as duas profissões como colaborativas. No campo privado continuam existindo várias batalhas entre a profissão médica e a quiroprática, mas a AMA não mais ataca a quiroprática publicamente. De fato, talvez a AMA tenha ficado escaldada com a vitória dos quiropráticos nos tribunais, afinal atualmente permite-se que numerosas técnicas de "medicina complementar" floresçam em hospitais e clínicas médicas nos EUA, sem que haja sequer uma palavra de protesto por parte da AMA. O Instituto Nacional de Saúde tem uma próspera divisão para testar até as práticas alternativas menos promissoras. Os quiropráticos e outros praticantes "alternativos" aprenderam uma coisa com a AMA: ela paga para organizar e fazer lobby sobre o congresso e os legislativos estaduais. A AMA ainda é o lobby mais poderoso entre os profissionais de saúde, mas já não está sozinha. Mesmo assim, o lobby da AMA não é o único motivo do desgaste da imagem pública da quiroprática.

Por muitos anos, os quiropráticos se apoiaram muito mais em fé do que em provas empíricas na forma de estudos controlados para dar apoio a seus relatos de maravilhas da manipulação de nervos. Isso está mudando e, até um certo ponto, o relacionamento entre a medicina e a quiroprática também está. Há um volume crescente de provas científicas de que a quiroprática seja eficaz no tratamento de vários tipos de dores lombares e traumas do pescoço. Há indícios de que a quiroprática seja eficaz no tratamento de determinados tipos de dores de cabeça e outros tipos de dores. O quiroprático geralmente é um dos poucos praticantes de medicina alternativa que um seguro de saúde cobre. No entanto, a probabilidade de que doenças como o câncer, por exemplo, venham a ser um dia atribuídas ao bloqueio de nervos parece ser extremamente remota. Não é provável que fazer afirmações extravagantes sobre as maravilhas da quiroprática, ou referências ao fluxo de "forças vitais" que curam o corpo, ou a idéias como "sincronização bioenergética", traga alguma contribuição para que essa disciplina avance no campo da medicina regular. Da mesma forma, dizer que a teoria dos germes está errada, uma afirmação comum na quiroprática, contribui pouco para fazer com que os quiropráticos pareçam praticantes avançados da medicina. Não é provável que ignorar bactérias e vírus ou subestimar o papel dos micróbios nas infecções, como os quiropráticos costumam fazer, traga algum benefício à sua causa. Cada diagnóstico ou tratamento errado feitos por um quiroprático desacreditam toda a profissão, e não só o indivíduo incompetente, devido à natureza contenciosa da teoria das subluxações.

Existem, é claro, histórias de horror protagonizadas por médicos. No entanto, muito poucas pessoas tomam essas histórias como comprometedoras de toda a profissão. São vistas como aberrações, não como típicas. Não é provável que isso se deva aos melhores esforços de lobby da AMA ou a uma conspiração para controlar a imprensa. É mais provável que isso seja conseqüência das experiências que a maioria das pessoas teve com médicos e aos efeitos geralmente positivos da medicina moderna. Em muitos dos casos, os médicos assumem riscos muito maiores que qualquer quiroprático assumiria. Assim, falhas cometidas por um médico podem ser desastrosas ou mesmo fatais. Raramente isso será o caso de um quiroprático, embora isso possa muito bem mudar se for bem sucedida a pressão atual por parte deles para que se tornem praticantes de cuidados básicos para bebês e crianças. A pediatria é muito mais arriscada do que se manipular a espinha de um idoso que está ali porque não quer ser operado e quer jogar golfe naquela mesma tarde.

Em resumo, a quiroprática continua controvertida, embora não em todas as suas áreas. Ela já se estabeleceu firmemente como tratamento eficaz para dores lombares. É atraente porque não há nenhum risco decorrente de efeitos colaterais de drogas, já que os quiropráticos geralmente não as recomendam aos seus pacientes. Também é atraente porque é vista como uma alternativa à cirurgia, e é atraente porque é geralmente mais barata que o tratamento feito por um médico, usando drogas e cirurgia. No entanto, não devemos assumir que todos os médicos prontamente prescrevam drogas ou cirurgia. Muitos deles, como seus irmãos quiropráticos, recomendam exercícios específicos para problemas da coluna.

Veja verbete relacionado sobre medicina alternativa.


leitura adicional

 

Jarvis, William. "Chiropractic: A Skeptical View" em The Hundredth Monkey, ed. Kendrick Frazier (Buffalo, N.Y.:Prometheus Books, 1991), pp. 262-270.

Magner, George. Chiropractic : the victim's perspective; editado por Stephen Barrett; com prefácio de William T. Jarvis. (Amherst, N.Y.: Prometheus Books, 1995).

Smith, Ralph. At Your Own Risk: The Case Against Chiropractors, (New York: Simon and Schuster, 1984).

Consumer Reports (setembro de 1995), artigo sobre dores lombares.

©copyright 2002
Robert Todd Carroll

traduzido por
Ronaldo Cordeiro

Última atualização: 2005-02-02

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